domingo, 5 de dezembro de 2010

Um filme de Michael Caine


Ultimamente, alguns atores consagrados têm atuado no “automático”; ou seja, parecem fazer sempre o mesmo personagem.
Nessa lista, entram Al Pacino, Robert De Niro, Dustin Hoffman, Anthony Hopkins. Tem-se a impressão de que, por terem atingido certo status, não precisam provar mais nada.
Felizmente, não é o caso de Michael Caine. Apesar de seus 77 anos, a cada filme ele mostra nova faceta e empenho na melhor atuação. Para quem não se lembra, Caine é o mordomo Alfred em Batman: o Cavaleiro das Trevas (2008).
Em seu mais recente filme, Harry Brown (2009, dir. Daniel Barber), ele vive o personagem-título: um soldado aposentado, que faz justiça com as próprias mãos para vingar o assassinato de um amigo.
Mas, não pense, inimigo leitor, que se trata de um revival dos matadores à la Charles Bronson. Ao contrário, Harry é triste e lacônico.


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sábado, 4 de dezembro de 2010

Melodia misteriosa


Como diriam os personagens de Nelson Rodrigues, “é batata”: quem for assistir a O livro de Eli (2010, dir. Albert Hughes e Allen Hughes), vai tentar descobrir o nome do tal livro que é carregado por Eli (Denzel Washington) ao longo dos 120 minutos de filme.
Na verdade, não é preciso ser muito inteligente para adivinhar que livro é aquele. Frustrante, pois esperava uma charada mais complexa.
Mas, pelo menos para mim, o filme apresenta um mistério mais interessante. Em duas cenas, o vilão Redridge (o ótimo Ray Stevenson) assobia uma melodia do filme Era uma vez na América (1984). Trata-se de “Cookie’s song”, ou seja, a “Canção de Cookie”, um dos personagens desse filme do diretor italiano Sergio Leone.
A princípio os dois personagens (Redridge e Cookie) não têm nada a ver um com o outro. Então, por que a música? Sugestão do ator ou ideia dos diretores?
Mistério...


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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A máfia de segunda classe


A história do cinema está recheada de filmes sobre a máfia, principalmente a italiana. Quem não se lembra da série O poderoso chefão (1972), dirigida pelo grande Francis Ford Coppola?
E a lista de clássicos sobre mafiosos continua: Os bons companheiros (1990), Era uma vez na América (1984), Scarface (1983), entre outros. Praticamente, se transformou num gênero, o gangsterfilm, que legou diretores e atores fundamentais.
Um deles é o ator Al Pacino, que fez um mafioso de primeira linha, Michael Corleone, na série de Coppola; e, nos anos 1990, um de segunda classe, que é verdadeiro “peão de obra”. Estamos falando do filme Donnie Brasco (1997, dir. Mike Newell), em que Pacino vive Lefty Ruggiero. Ele é enganado por um policial infiltrado, o tal Donnie do título.
Com agonia, acompanhamos a trajetória desse mafioso pé de chinelo, que vê sua única chance de glória ir para o espaço.

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

À maneira de Charlie Brown


Nos Estados Unidos, existe uma palavra que é usada para designar as pessoas perdedoras: loser. De quadrinhos a filmes, vários segmentos culturais costumam explorar esse imaginário.
O caso mais célebre é o da tirinha Peanuts (amendoim), que, no Brasil, virou a “Turma do Charlie Brown”. Nessa série criada pelo cartunista Charles Schutz, o menino Charlie, apelidado de “menduim”, nunca consegue acertar uma tacada de beisebol. Melancólico, Charlie assume seu lado loser de ser.
No filme Coração Louco (2009, dir. Scott Cooper), Bad Blake (Jeff Bridges) é o loser da vez. Outrora um cantor country de sucesso, Bad vive um momento de decadência, tocando em pistas de boliche e caindo bêbado pelas tabelas. Até que conhece uma jornalista (Maggie Gyllenhaal) que o faz mudar.
Não espere um melodrama; mas sim uma visão dura sobre a vida de um perdedor que tenta se reerguer.


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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sob aplausos


Grandes filmes costumam entrar para a história com atuações memoráveis, enredos originais, revoluções estéticas e, principalmente, cenas antológicas, daquelas que se tornam referência para homenagens e paródias.
Quem não se lembra do taxista Travis, em Taxi Driver (1976, dir. Martin Scorcese)? A cena em que ele conversa com o espelho (“Está falando comigo?”) já foi até citada em um dos episódios do desenho Os Simpsons.
É o caso do filme Brubaker (1980, dir. Stuart Rosenberg). Vivido pelo ator Robert Redford, o personagem Henry Brubaker enfrenta a corrupção do sistema carcerário para tentar pôr uma penitenciária dirigida por ele nos eixos. Na queda de braço, ele perde a batalha; mas mantém a integridade de seus valores.
A cena final é inesquecível: sob as palmas dos presos da penitenciária, Brubaker se retira emocionado. “Ele estava certo” em acreditar no que era eticamente correto.


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domingo, 21 de novembro de 2010

Pede pra entrar!


“Tropa de Elite/ Osso duro de roer/ Pega um, pega geral/ Também vai pegar você”. Quem não conhece esta música do Tihuana?
Milhões de brasileiros, principalmente por meio do “mercado paralelo”, fizeram com que Tropa de Elite (2007, dir. José Padilha) se tornasse febre nacional. Todo mundo repetia as palavras do Cap. Nascimento: “Pede pra sair”, “Missão dada é missão cumprida”, “fanfarrão” etc.
Aproveitando o sucesso do primeiro filme, o diretor Padilha lançou Tropa de Elite 2 (2010) no dia 8 de outubro. Agora promovido a tenente-coronel, Nascimento enfrenta um problema muito maior do que o tráfico de drogas: o tal “sistema”, que engloba desde a corrupção policial e política até o surgimento das milícias.
Pra sorte de Irati, o filme entrou em cartaz, no Cine Irati, dia 12 de novembro.
Um conselho, parceiro: não peça pra sair e assista até o fim.


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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Tudo pela arte


Num texto famoso, o filósofo Walter Benjamin afirmava que a arte havia perdido sua aura, ou seja, aquele momento de magia e unicidade.
No filme Um crime nada perfeito (2009, dir. Peter Hewitt), os personagens principais são encantados pela aura de alguns objetos artísticos de um museu.
Morgan Freeman, Christopher Walken e William H. Macy estão na pele de três seguranças que trabalham num museu e são aficionados por arte. Passam noite/dia contemplando quadros e uma escultura. Em outras palavras, cultuam e vivenciam a arte.
No entanto, a notícia de que as obras serão enviadas para outro país causa espanto e apreensão. Aí que começa a confusão, pois farão de tudo para permanecer próximos de seus objetos de adoração. Até mesmo roubar, mesmo sem vocação para isso.
Afinal, vale tudo por uma bela obra de arte. Não é?


Trailer: