domingo, 13 de março de 2011

À maneira de Dom Quixote


Dave acha que é um super-herói de verdade


Lançado nos cinemas em 2010, o filme Kick Ass – Quebrando Tudo segue a linha de filmes de “super-heróis”, subgênero que se tornou febre em Hollywood após o sucesso das séries estreladas por Homem-Aranha, X-Men e Homem de Ferro. Mas, engana-se quem acha que esse filme dirigido por Matthew Vaughn segue a mesma linha dos seres invencíveis e tal. Pelo contrário, Kick Ass bota realismo na coisa, revelando que ser um super-herói é bem mais complicado do que parece.
O personagem principal do filme, o adolescente nerd Dave Lisewski (Aaron Johnson), leu tantas histórias em quadrinhos que achou que poderia se tornar um super-herói. Comprou uma roupa de mergulhador, adotou um codinome (Kick Ass) e saiu pelas ruas para combater o crime. Em sua primeira aventura, quebra a cara, literalmente: apanha feio de dois marginais e fica em coma. Quase morre, mas, mesmo assim, não desiste. Tenta mais uma noite. Para surpresa geral, mesmo aos trancos e barrancos, consegue salvar um cara. Uma pessoa que assistia a tudo gravou num celular e postou o vídeo no YouTube. A partir dali, Dave se torna celebridade.
Era tudo que ele precisava para se transformar num verdadeiro super-herói. Mas, a realidade mostra que havia sido um lampejo de sorte. Continua atrapalhado e sem jeito para combater os criminosos. Numa outra aventura, acaba sendo salvo pelos verdadeiros super-heróis: a menina Hit Girl e Big Daddy. Aí, o negócio começa a esquentar, pois esses dois estão, na verdade, em busca de uma vingança contra o chefão do crime na cidade.
O restante do filme é marcado por cenas bem movimentadas de ação, conquistas amorosas e um final espetacular. Dave, ou melhor, Kick Ass, vai sofrer bastante na labuta como super-herói. Ao contrário dos gibis lidos por ele, a realidade é muito mais complicada. Assim como Dom Quixote, no livro O engenhoso Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes, ele vê que os moinhos de vento são mais perigosos que na ficção.
Baseado na série em quadrinhos Kick Ass, escrita por Mark Millar e desenhada por John Romita Jr., a produção dirigida por Vaughn é uma adaptação original do universo dos super-heróis. Pena que pouca gente viu no cinema; mas, aqueles que têm acesso às locadoras, podem conferir o filme num disquinho de DVD.


****Trailer:

quarta-feira, 9 de março de 2011

Um veterano em cena


(Fotos: http://blogs.praguepost.com; http://www.movieset.com)


Presente e passado de Wallach: agora com Ewan McGregor; e à época do western spaghetti, com Clint Eastwood



Sem mais delongas, irei direto ao ponto. Recomendo assistir a O escritor fantasma (2010, dir. Roman Polanski), um excelente filme de mistério e suspense.
Poderia comentar que é mais uma incursão bem-sucedida do consagrado Polanski no gênero policial; ou de que é a trama de um “escritor fantasma” (vivido pelo ator Ewan McGregor), contratado para escrever as memórias do primeiro-ministro da Inglaterra e que se mete com coisas mais perigosas. Tudo isso conta a favor do longa-metragem.
Porém, prefiro apontar para um pequeno detalhe. Trata-se da participação do veterano ator Eli Wallach numa das cenas. Quando o vi, quase não reconheci; afinal, há tempos Wallach não aparecia em filmes.
Aos 94 anos, ainda era aquele mesmo ator que participou de produções antológicas do western spaghetti, ao lado de gente como Bud Spencer, Terence Hill, Clint Eastwood e Sergio Leone.



*****Trailer:

segunda-feira, 7 de março de 2011

TOP LISTAS: sucesso passageiro

Outro dia, estava acompanhando a programação da TV quando me deparei com um videoclipe de Bruce Springsteen. Tratava-se de “Streets of Philadelphia”, que fez parte da trilha musical do filme Filadélfia (1993, dir. Jonathan Demme). Na hora, pensei: taí uma produção que fez muito sucesso à época em que foi lançado, mas que hoje pouca gente deve lembrar ou conhecer.
A partir dessa reflexão, resolvi elaborar a primeira listagem da seção Top Listas do Nova Estampa: “filmes de sucesso passageiro”.

*************************************************************************************

1.Filadélfia (1993) – Filme que inspirou o surgimento desta lista, não poderia ficar de fora da posição número 1. Dirigido pelo prestigiado Jonathan Demme (Sabe O silêncio dos inocentes? Então, não preciso falar mais nada), essa produção fez muita gente se emocionar com a história de um advogado homossexual (Tom Hanks) que é despedido da firma onde trabalhava porque estava com Aids. Tornou-se um libelo contra o preconceito e marcou profundamente as carreiras de Tom Hanks e Denzel Washington. É difícil não chorar ao ouvir “Streets of Philadelphia”; a não ser que você seja duro feito uma pedra. Foi reprisado à exaustão na Globo.



2.Para o resto de nossas vidas (1992) – Contemporâneo de Filadélfia, esse filme também foi reprisado centenas de vezes, mas na Band. Conta a história de um grupo de amigos que se reúne após muitos anos de separação. Um deles, Peter (Stephen Fry), é o anfitrião da casa e mentor do reencontro. Infelizmente, a amizade já não é a mesma e suas vidas tomaram rumos sem volta. O desfecho é bastante melancólico e tocante. Destaque para o elenco (Hugh Laurie, antes de se tornar o médico House; Emma Tompson; e Kenneth Branagh, que também dirigiu) e o país de origem, Inglaterra.



3.Quatro casamentos e um funeral (1994) – Típica “comédia romântica”, mas com sotaque inglês, mostrou que a química entre “inglês sem jeito” e “norte-americana sensual” funcionava; era o casal Hugh Grant e Andie McDowell (mais de uma década depois, Um lugar chamado Notting Hill repetiria a fórmula, com o mesmo Hugh Grant e Julia Roberts no lugar de Andie). A trama se aproveitava daquele clichê hollywoodiano de encontros/desencontros para dar uma cara mais inglesa, com humor diferenciado. À época, o filme também ganhou visibilidade com o escândalo sexual de Grant, que foi pego num carro com uma prostituta.



4.Kickboxer: o desafio do dragão (1988) – No final dos anos 1980, esse era o “oba oba” dos filmes de luta. Dá pra acreditar nisso? Mas acredite, pois a minha turma de karatê, em Marialva (uns 400 km de Curitiba), queria imitar todos os movimentos do personagem de Jean-Claude Van Damme, mesmo não sendo um lutador de karatê. A cena em que Tong Po, algoz do irmão de Kurt Sloane (Van Damme), se aquece batendo numa pilastra é memorável. Versão “filmes de artes marciais” da série de boxe Rocky. E mais: Kickboxer: o desafio do dragão era o mito entre os filmes trash, perdendo apenas para aqueles estrelados por Bruce Lee.



5.Nove semanas e meia de amor (1986) – Acredite se quiser, mas Mickey Rourke já foi “o cara” em Hollywood. Quem tem o número 1 da revista Set sabe do que estou falando. Nos anos 1980, ele escolhia seus papéis e estrelou filmes ao lado de gente como Robert De Niro (Coração Satânico). Tudo graças a sucessos como Nove semanas e meia de amor. Entre os casais apaixonados, era sucesso absoluto; entre gente solitária, também. Todo mundo queria fazer as mesmas estripulias sexuais vividas pelos personagens de Rourke e Kim Basinger (no auge de sua beleza). Assistindo hoje, parece filme do maternal; mas, à época, era quase pornográfico. Garanto que nunca foi reprisado na Sessão da Tarde. Enquanto Rourke voltou do limbo, estrelando produções como O lutador (2008) e Homem de Ferro 2 (2009), Basinger sumiu de vez. Por onde andará a atriz?

domingo, 6 de março de 2011

De Eric para Eric

(Foto: acentonegativo.blogspot.com)

O jogador Eric vira conselheiro do carteiro Eric



Quando era jogador de futebol, o francês Eric Cantona aprontou poucas e boas. Dentro e fora dos campos, ele era temperamental e figura controversa. Autor de gols espetaculares pelo Manchester United, Cantona perdia a cabeça facilmente e chegou a ficar nove meses suspenso após agredir um torcedor (no YouTube, pode-se encontrar a famosa “voadora” do jogador).
No filme À procura de Eric (2009, dir. Ken Loach), temos outra faceta dele: a serenidade para aconselhar o carteiro Eric. Fã ardoroso do ex-ídolo do Manchester, o personagem vive num universo caótico e decadente, perseguido por seu passado amoroso. Numa noite, Eric Cantona (o próprio) aparece em seu quarto, como se fosse um alter-ego do carteiro.
Uma revelação do ex-jogador ilumina a vida de Eric: o principal momento de sua carreira não havia sido a realização de um daqueles gols antológicos; mas sim o passe para um companheiro.


*****Veja o trailer:

sexta-feira, 4 de março de 2011

No limite da razão

(Foto: www.avidaeumpalco.com)
O alpinista Aron Ralston passa maus momentos em sua aventura



Em colaboração com o NOVA ESTAMPA, a internauta e estudante de Jornalismo, Taysa Yasmim dos Santos, enviou o seguinte texto sobre o filme 127 horas:


127 Horas (2010, dir. Danny Boyle) não foi o grande ganhador do Oscar, mas posso dizer que Danny Boyle acertou em cheio nesse filme. Foram as 127 horas mais certeiras de sua vida.
Além da história emocionante, aventureira, surpreendente, empolgante, um diferencial é o enquadramento. Boyle abusou de ângulos diferentes, como, por exemplo, a filmagem de dentro da garrafa de água. As cenas foram perfeitamente montadas e os mínimos detalhes ficam evidentes nas quedas, corredeiras de água e desmoronamentos.
Baseado em uma história real, o filme conta a aventura trágica do alpinista Aron Ralston que, em abril de 2003, colocou sua mochila nas costas e partiu sozinho para explorar uma área montanhosa no deserto de Utah (nos Estados Unidos). Acostumado a praticar esportes radicais, ele não poderia imaginar que um deslizamento o deixaria cinco dias com o braço preso embaixo de uma rocha. Uma atuação excelente de James Franco, que faz o espectador se colocar no lugar do personagem e compartilhar seus sentimentos e aflições
Além disso, Boyle utiliza no filme mudanças repentinas de zoom, cortes rápidos, jogadas de câmera e recursos sonoros que retratam a dor e a intensidade do personagem.
127 horas é uma bela história de superação, que agrada e comove até mesmo aqueles que conhecem o angustiante desfecho. O filme nos faz refletir sobre a importância da vida e entender que somos capazes de vencer todos os obstáculos. Basta querer....


****Confira o trailer:

quarta-feira, 2 de março de 2011

Em busca do desconhecido

(Foto: fuckingweblog.blogspot.com)
Os quatro amigos em sua jornada particular



Desculpe, mas tenho que dizer: quem não assistiu a Conta comigo (1986, dir. Rob Reiner) não teve infância ou adolescência. É o tipo de filme que se precisa conhecer em algum momento de sua vida.
Campeã da Sessão da Tarde, essa produção trazia um jovem River Phoenix ainda em início de carreira. Posteriormente, ele se tornaria um ator famoso que teria uma carreira muito curta (morreu de overdose em 1993), mas significativa. Só o fato de ter estrelado Conta comigo já valeu a pena. Afinal, estou falando de um filme que ajuda a entender o difícil processo de amadurecimento do homem.
Acompanhar a trajetória de um grupo de amigos em busca de um cadáver atropelado significa entrar num mundo sinuoso e misterioso, onde o risco e o medo fazem parte da vida.
Antes de terminar, um aspecto curioso: trata-se da adaptação de um dos poucos romances de Stephen King que não são exatamente de Terror.


****Confira o trailer e assista ao filme:

terça-feira, 1 de março de 2011

O erro correto

(Foto: http://cinemacomrapadura.com.br)

De vítimas a perseguidoras em À prova de morte



À prova de morte (2007, dir. Quentin Tarantino) não é o melhor filme de Tarantino, mas reúne movimentadas cenas de perseguição de carros, uma batida espetacular e reviravolta no enredo. Tudo isso salva o restante do longa-metragem.
Para quem é fã do cinema de Tarantino, estão lá todos os ingredientes que caracterizam seu estilo: diálogos diferentes, cenas aparentemente sem sentido, referências a filmes desconhecidos do grande público e pequenas obsessões.
O problema é que o diretor norte-americano, vidrado no cinema marginal dos anos 70, exagerou no tamanho dos diálogos e nas cenas desnecessárias.
Mas, a ideia do vilão se tornar vítima foi uma sacada genial. Digamos que o filme fez um giro de 360 graus e modificou totalmente o principal eixo dramático. Isso prova que mesmo quando um grande diretor erra, ele acerta.


*****Confira o trailer: