segunda-feira, 18 de julho de 2011

Só para maiores

(web.hotsitepanini.com.br)
Reprodução da capa do segundo número da publicação


Historicamente, as duas grandes editoras de quadrinhos no mundo, Marvel e DC Comics, sempre travaram uma luta acirrada pela liderança na vendagem de gibis de super-heróis. De um lado, Homem-Aranha, X-Men, Hulk; do outro, Batman, Super-Homem, Mulher-Maravilha. Todos com imenso apelo popular.

Se existe quase um empate no duelo entre super-heróis, no segmento de quadrinhos para o público adulto a DC Comics dá de goleada em sua arquirrival. Desde os anos de 1980, essa editora publica o selo Vertigo, que reúne histórias protagonizadas por gente comum, sem o uso de uniformes espalhafatosos e superpoderes. O grande lance é o espaço destinado ao suspense e terror, com altas doses de conteúdo pesado (violência e sexo).

No Brasil, as histórias mais adultas da DC podem ser lidas, todos os meses, na revista Vertigo (publicada pela brasileira Panini Comics).

Pensando no sucesso desse filão, nos últimos anos a Marvel começou a investir pesado em histórias de terror e suspense. Na verdade, ela simplesmente aproveitou o potencial de alguns personagens já existentes para focar num tipo de público mais adulto. Assim, o Motoqueiro Fantasma foi um deles que ganhou maior espaço e visibilidade na nova série.

Desde sua primeira aparição (nos anos de 1970), o personagem sempre esteve envolto numa aura sobrenatural. É a história do motoqueiro Johnny Blaze, que vendeu sua alma ao demônio para ganhar poderes sobrenaturais. A adaptação feita para o cinema, com Nicholas Cage no papel principal, não chega nem perto desse universo satânico.

Reunindo séries como essa, a Panini Comics lançou ao final do ano passado a revista Marvel Terror. Sem periodicidade definida, foram publicadas até agora somente duas edições. Na mais recente, são apresentadas as aventuras de três personagens: Motoqueiro Fantasma, Satana (a “filha do demônio”) e Múmia Viva.

De todos eles, Motoqueiro é o que tem maior destaque, ocupando boa parte das 148 páginas do gibi. Sua história envolve a segunda encarnação do “espírito da vingança”, na pele de Danny Ketch, que precisa enfrentar forças do além para manter o equilíbrio do universo.

Com a revista nas bancas, espera-se que a aposta da Panini tenha sobrevida no mundo concorrido das HQs.

SERVIÇO:
HQ: “Marvel Terror” (2011)
Artistas: Vários
Preço: R$ 17,90 (sem o frete)
Onde adquirir: www.paninicomics.com.br

sábado, 16 de julho de 2011

Lobão, o infeliz

(Imagem: todasurdezseracastigada.blogspot.com)

Reprodução da capa do disco A vida é Doce



Na autobiografia 50 anos a mil (2010), escrita com o jornalista Cláudio Tognoli, João Luiz Woenderbag Filho, o Lobão, revela detalhes e fatos importantes de sua vida. É um catatau de mais de 600 páginas, mas que tem na narrativa frenética e impulsiva uma leitura fluente e envolvente.

Entre os segredos contados por Lobão, o processo de criação de diversos sucessos de sua carreira musical: “Me Chama”, “Corações Psicodélicos”, “Noite e Dia”, entre outros.

Mas uma dessas canções, que não teve a merecida repercussão nas rádios, tem uma letra forte e impactante. Trata-se de “El Desdichado II”, que foi feita a partir da estrutura formal do poema “El Desdichado”, do poeta francês Gérard de Nerval.

O texto se torna ainda mais pesado e melancólico quando Lobão revela, nas páginas do livro, que fez a canção inspirado na morte de Alcir Explosão, seu grande amigo e músico. Ele fora executado por uma criança de sete anos de idade.



*******Conheça o poema de Nerval e a letra da canção:

El Desdichado
Gérard de Nerval

Eu sou o tenebroso, - o viúvo, - o inconsolado
Príncipe d'Aquitânia, em triste rebeldia:
É morta a minha estrêla, - e no meu constelado
Ataúde há o negror, sol da melancolia.

Na noite tumular, em que me hás consolado,
O pausílipo, a Itália, o mar, a onda bravia,
Dá-me outra vez, - e dá-me a flor do meu agrado
E a ramada em que a rosa ao pâmpano se alia...

Sou Byron? Lusignan? Febo? O Amor? Advinha!
As faces me esbraseia o beijo da rainha:
Cismo e sonho na gruta em que a sereia nada...

Duas vêzes o Aqueronte, - é o grande feito meu, -
Transpus a modular, nesta lira de Orfeu,
Os suspiros da santa e os clamores da fada...
Tradução de Manuel Bandeira


El Desdichado II
Lobão

Eu sou o tenebroso, o irmão sem irmão,
O abandono, inconsolado,
O sol negro da melancolia

Eu sou ninguém, a calma sem alma que assola, atordoa e vem
No desmaio do final de cada dia

Eu sou a Explosão, o Exu, o Anjo, o Rei
O Samba-sem-canção, o Soberano de toda a alegria que existia

Eu sou a contramão da contradição
Que se entrega a Qualquer deus-novo-embrião pra traficar
O meu futuro por um inferno mais tranquilo

Eu sou Nada e é isso que me convém
Eu sou o sub-do-mundo e o que será que me detém?

Eu sou o Poderoso, o Bababã,
O Bão! Eu sou o sangue, não!
Eu sou a Fome! do homem que come na brecha da mão de quem vacila

Eu sou a Camuflagem que engana o chão
A Malandragem que resvala de mão em mão
Eu sou a Bala que voa pra sempre, sem rumo, perdida

Eu sou a Explosão, o Exu, o Anjo, o Rei
Eu sou o Morro, o Soberano, a Alegoria que foi a minha vida

Eu sou a Execução, a Perfuração
O Terror da próxima edição dos jornais
Que me gritam, me devassam e me silenciam.


********Conheça também a canção (apenas para audição), que faz parte do disco A Vida é Doce (1999)
NOVA ESTAMPA - El Desdichado II (Lobão) by novaestampa

Uma vida muito louca e bandida

(Foto: www1.folha.uol.com.br)
A narrativa de Lobão é frenética e intensa


Na intimidade, João Luiz Woenderbag Filho; na cena pública, Lobão. Polêmico e injustiçado, ele ajudou a construir uma página importante na história da música brasileira: participou do chamado RockBR nos anos de 1980. Naquela época, fez parceria com Cazuza (em canções como “Vida louca, Vida”), ajudou na fundação da Blitz (liderada pelo cantor e ator Evandro Mesquita, o Paulão da “Grande Família”) e gravou os sucessos “Me Chama”, “Vida Bandida”, “Essa noite não”, entre outros.

Só esses fatos bastariam para torná-lo uma figura emblemática para a cultura brasileira. Mas, brigas com gravadoras e artistas; os excessos com drogas e rock and roll; projetos fracassados; e o desprezo do público pareciam levar Lobão à vala do ostracismo e da irrelevância. No entanto, a cada derrota, ele se erguia e conseguia achar novo rumo. Foi assim quando se arriscou e se tornou um artista independente no final dos anos de 1990, vendendo CDs em bancas de jornal.

Agora, parte dessa trajetória está relatada no pungente 50 anos a mil (Ed. Nova Fronteira). Escrito com o jornalista Cláudio Tognoli, trata-se de um livro autobiográfico que cobre os 50 anos de vida do cantor/compositor. São histórias que revelam brigas, amizades, amores, problemas com a justiça e as drogas, tentativas de suicídio, discussões públicas, o rompimento com o sistema das gravadoras. É a imagem de um Lobão em pele de João Luiz Woenderbag Filho; ou seja, com seus medos, arrependimentos, certezas e receios.

Acima de tudo, um cara que pagou um alto preço por manter sua autenticidade. Talvez tenha sido ingenuidade; mas que, ao final do livro, tem-se a impressão de que valeu a pena.

SERVIÇO:
Livro: 50 anos a mil (2010)
Autor: Lobão, com Cláudio Tognoli
Preço: R$ R$ 41,90 (sem o frete)
Onde adquirir: www.saraiva.com.br

sexta-feira, 15 de julho de 2011

“Se beber, não case! - Parte 2” estreia no Cine Irati

(Foto: www.adorocinema.com.br)

Os mesmos personagens do primeiro filme se metem em novas confusões etílicas


Para quem gosta daquelas comédias tipicamente norte-americanas, com muito besteirol e situações bizarras, Se beber, não case! - Parte 2 é uma boa pedida para o fim de semana. Estreia nesta sexta-feira (15), no Cine Irati.

Continuação do sucesso de 2009, a segunda parte consegue superar o humor politicamente incorreto e escabroso do primeiro filme. Dirigido pelo mesmo diretor, Todd Phillips, faz parecerem histórias da carochinha as produções ao estilo American Pie.

Novamente, os personagens do primeiro filme acordam sem saber o que aconteceu na noite passada (que foi daquelas); só que agora em Bangcoc, na Tailândia. O passo seguinte é tentar descobrir o que eles fizeram.

Nessa trajetória, aparecem os mais variados tipos e situações: um macaco sagui que fuma cigarros e é tarado; um monge budista obrigado a participar de uma orgia; um noivo, chapado, que transa sem querer com um travesti; e muito mais.

Assim, fica a dica: se for assistir, não beba.

KUNG FU PANDA 2
A animação da DreamWorks continua em cartaz, com sessões diárias às 15h; e, aos sábados e domingos, às 18h.

SERVIÇO
Filme: “Se beber, não case! - Parte 2” (2011), dublado
Estreia: sexta-feira, 15 de julho
Local: Cine Irati (Travessa Frei Jaime, 37, Centro, Irati)
Horário: 20h30min
Valor: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)


quinta-feira, 14 de julho de 2011

A última aventura de Harry Potter

(Foto: www.adorocinema.com.br)

Muitos fãs vão sentir falta do bruxinho


Após dez anos, chega ao fim a saga do bruxo mais querido do mundo. Com pré-estreia nacional, o Cine XV apresenta nesta quinta-feira (14), com sessão à meia-noite, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (2011).

A segunda parte do último filme põe um ponto final na série iniciada em 2001, com Harry Potter e a Pedra Filosofal. À época, o personagem Harry Potter era apenas uma criança que ainda não sabia de todo o seu potencial como bruxo. Na escola de Hogwarts, ele começa a aprimorar seus poderes e viver aventuras que vão muito além de nossa vã fantasia.

Ao longo desses sete últimos filmes, Potter travou duras batalhas com diversos vilões. Mas o principal deles é, sem dúvida, Lorde Voldemort (Ralph Fiennes). Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 é a conclusão desse embate épico, que promete deixar Hogwarts em ruínas. Agora, Potter já é um adolescente com maturidade e controle de seu poder.

Para muitos fãs, que acompanham a trajetória do bruxinho desde o lançamento do primeiro livro (em 1997) que deu origem à série no cinema, o fim vai deixá-los órfãos.

Mas, a autora do personagem, J. K. Rowling, diz que continuará a saga. Por meio do site pottermore.com, criará conteúdo colaborativo com os fãs, lançará material inédito e disponibilizará venda de e-books.

TODOS OS FILMES DA SAGA
Por enquanto, os sete filmes já arrecadaram 6,3 bilhões de dólares. É a saga mais rentável da história do cinema. Em segundo lugar, a trilogia O Senhor dos Anéis arrecadou 2,9 bilhões de dólares. (Fonte: Box Office Gugu).

1.Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001);
2.Harry Potter e a Câmara Secreta (2002);
3.Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (2004);
4.Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005);
5.Harry Potter e a Ordem da Fênix (2007);
6.Harry Potter e o Enigma do Príncipe (2009);
7.Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 (2010).

SERVIÇO
Filme: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (2011)
Pré-Estreia
Local: Cine XV (Rua Getúlio Vargas, 1.716, Centro, Guarapuava)
Horário: Meia-noite
Valor: a consultar (Tel.: 3621-2005)


quarta-feira, 13 de julho de 2011

TOP LISTAS: Rock e Cinema

(Foto: blogdojuma.blogspot.com)

Na cena final de Crossroads, duelo de guitarras com Steve Vai



Nesta quarta-feira (13), comemora-se o Dia Mundial do Rock. Apesar de ser uma data que tem somente relevância e importância no Brasil, merece o registro, já que estamos falando de um dos gêneros mais populares da música.

E o Nova Estampa preparou um post especial para esse dia. Trata-se de uma edição do Top Listas com filmes sobre o rock em todas as suas dimensões: blues, soul etc.

E a ordem na listagem seguiu a cronologia de lançamento das produções, sem preferência por este ou aquele filme.

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1.O Seresteiro de Acapulco (1963)
Na carona do sucesso do rei Elvis Presley, esse e outros tantos filmes surgiram para atrair seus fãs (principalmente do sexo feminino). Nada de interpretações shakespearianas, o diferencial era o carisma de Elvis e a praia de Acapulco. Direção de Richard Thorpe.



2.A Hard Day’s Night (1964)
Mesmo caso do filme anterior. A história? Era o de menos. Bastava a presença de John, Paul, George e Ringo numa trama pra lá de doida; e amplificada pela direção anárquica de Richard Lester.



3. The Blues Brothers (1980)
No Brasil, esse filme, dirigido pelo sensacional John Landis, ficou conhecido pelo malandro título Os Irmãos Cara de Pau. John Belushi e Dan Aykroyd são os irmãos Jake e Elwood Blues. Eles estão numa “missão divina”: levantar recursos para o orfanato de sua infância. Para isso, se metem em tremendas confusões, com direito a números musicais com lendas do blues/soul: Aretha Franklin, Ray Charles, James Brown e John Lee Hoker.



4.The Wall (1982)
O diretor Alan Parker embarcou nos delírios de Roger Waters (baixista do Pink Floyd) para construir aquele que é o filme mais psicodélico sobre o rock and roll. À época, o Pink Floyd era o suprassumo do Rock Progressivo, com seu estilo virtuosístico e pretensioso. O filme até que é bom; mas somente compreendido pelos fãs da banda.



5. Eddie: o ídolo pop (1983)
Com direção de Martin Davidson, é um filme meio obscuro. É praticamente a história de Jim Morrison, personificado em Eddie, um roqueiro meio complicado que gosta da poesia de Rimbaud. Após o grande sucesso pop de sua banda, ele deseja ousar e produz um disco experimental que se torna um fracasso. Insatisfeito, resolve se matar; só que nunca acharam seu corpo. Fica a suspeita: estaria vivo?



6.Crossroads (1986)
Pelo amor de Deus, não confundir com o filme homônimo estrelado por Britney Spears! Estou falando de uma produção dirigida por Walter Hill e protagonizada pelo ex-Karatê Kid, Ralph Macchio. Na história, seu personagem é um jovem estudante de violão clássico que, nas horas vagas, gosta mesmo é de blues. Sua vida muda quando parte em busca de uma canção perdida do mito Robert Johnson (reza a lenda que ele vendeu a alma ao Diabo para ser o melhor bluesman). Destaque para o duelo de guitarras com o ainda desconhecido Steve Vai.



7.The Commitments: loucos pela fama (1991)
Dirigido pelo genial Alan Parker, conta a história de uma banda de soul com muito potencial musical, mas cheia de egos inflados e brigas. O mais interessante é que a história se passa na fria e distante Dublin, na Irlanda. O personagem que idealiza o projeto defende uma ideologia muito curiosa: os irlandeses são os “negros” da Europa.



8.The Wonders: o sonho não acabou (1996)
Projeto pessoal de Tom Hanks, esse é um filme bastante convencional, mas que tem seu charme. Conta a história de uma banda que surge na época de ouro do rock, nos anos de 1960. Graças a um single, seus integrantes alcançam sucesso meteórico; mas terminam de maneira abrupta e melancólica.



9.Cadillac Records (2008)
Já ouviram falar de Muddy Waters, Howlin’ Wolf, Etta James e Chuck Berry? O judeu Leonard Chess é o cara que descobriu toda essa turma e ajudou a construir uma importante página do rock. É disso que trata Cadillac Records e a história da famosa gravadora Chess Records. A direção é de Darnell Martin.



10.The Runaways: garotas do rock (2010)
Quem diria, Kristen Stewart consegue ir além de sua atuação como Bella Swan na série Crepúsculo. Nesse filme dirigido por Floria Sigismondi, ela vive Joan Jett, uma das fundadoras do primeiro grupo de rock composto apenas por mulheres: The Runaways. Sucesso, exageros e egos inflados (aquela receita tradicional) são o pano de fundo dessa banda que durou pouco, mas deixou sua marca na história do rock.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Na carona do Rei

(Foto: www.adorocinema.com.br)
Elvis em interpretação inspirada de "Suspicious Mind"


Não, esse não é mais um filme contando a história de Elvis Presley. Mais do que isso, Um estranho chamado Elvis (1998, de David Winkler) usa a figura do Rei do Rock como um elemento mágico na narrativa.

Na história do filme, Harvey Keitel (sempre excelente) interpreta um personagem que se diz o próprio Elvis, mesmo sem ter qualquer tipo de semelhança física, perambulando pelas estradas dos EUA à procura de uma carona para chegar a Memphis, onde será comemorado seu aniversário. No caminho, ele encontra um rapaz meio perdido, dirigindo um Cadilac sem uma das portas.

Esse tal de “Elvis” consegue despertar a chama da esperança nas pessoas, fazendo com que elas voltem a acreditar. Inclusive, fica-se a dúvida sobre a verdadeira identidade do Rei, como se suas palavras fossem verdadeiras.