terça-feira, 30 de agosto de 2011

Blues com gosto de cerveja

(Foto: Divulgação)
Após um disco ao vivo, o bluseiro brasileiro retornou com 13 faixas inéditas


“Um monte de cerveja, invadindo a minha mesa, jorrando como fonte, um monte de cerveja”. Assim é o refrão da canção de trabalho do mais recente CD de Celso Blues Boy, Por um monte de cerveja (2011), lançado em julho deste ano.

Após um hiato de dez anos e de um DVD/CD ao vivo (Quem foi que falou que acabou o Rock'n Roll?, em 2008), Blues Boy retorna com um disco de músicas inéditas. Os fãs do bom e velho blues agradecem, já que o artista é um dos precursores do gênero no Brasil, produzindo um som cantado em português.

Contando com a ilustre participação do pessoal do Detonautas Roque Clube como banda de apoio, Blues Boy reaparece na cena musical brasileira ao melhor estilo do blues: riffs suingados, letras inspiradas e solos matadores. Inclusive, ele continua com a mão esquerda calibrada, já que são solos característicos de sua guitarra, com muitos agudos e notas intensas.

Mesmo cinquentão, sua vitalidade é prova de que a passagem do tempo só fez bem à produção criativa de Blues Boy. Todas as 13 faixas do CD foram compostas por ele, mostrando que continua afiado nas letras e nas melodias.

O melhor exemplo é a música de trabalho, “Por um monte de cerveja”. Ela transita pelo universo etílico de bares e da noite, dando uma banana para a onda do politicamente correto. O trabalho anterior já mostrava um pouco disso, pois uma das músicas inéditas, “Quem foi que falou que acabou o Rock'n Roll?”, era uma boa provocação para a galera mais bem comportada.

Assim, para quem gosta de solos agudos, letras certeiras e voz rasgada, o novo CD de Celso Blues Boy é como pedir uma cerveja bem gelada numa noite quente.





SERVIÇO:
CD: Por um monte de cerveja (2011)
Artista: Celso Blues Boy
Preço: R$ 20,00
Onde adquirir: http://loja.penedoproducoesmusic.com.br/


Veja a gravação de uma das músicas do novo trabalho:

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Curitiba organiza Festival de Curtas-Metragens


Pela primeira vez em sua história, a cidade de Curitiba será sede de uma edição do Kinoforum, festival de curtas-metragens nacionais e internacionais. É o 1o Kinoforum/Curitiba 2011, que ocorrerá nos dias 2, 3 e 4 de setembro na sala 5 do Shopping Novo Batel.

Com entrada franca, o evento é uma edição itinerante do tradicional Kinoforum-SP – Festival Internacional de Curtas-Metragens, que está em sua 22a edição.

A responsável por trazer o evento para a capital paranaense é a pesquisadora de cinema Denize Araujo, que, em contato com a diretora executiva do Kinoforum-SP, Zita Carvalhosa, tornou possível tal empreitada.

Criada em 1995, a Associação Cultural Kinoforum-SP, entidade sem fins lucrativos, realiza atividades e projetos e apoia o desenvolvimento da linguagem e da produção cinematográfica. Em intercâmbio com associações e eventos nacionais e internacionais, promove a divulgação do audiovisual brasileiro, latino-americano e internacional.

O 1º Kinoforum-Curitiba 2011 será mais uma etapa de um projeto coordenado pela pesquisadora Denize, o Cultura Visual. Iniciado em 1997, tem por objetivo a formação de plateia crítica. Os participantes que quiserem fazer a inscrição terão certificado de extensão, de atividade complementar, emitido pelo MIS (Museu da Imagem e do Som de Curitiba). A ficha de inscrição está no site http://clipagemcuritiba.blogspot.com

ATIVIDADES
O 1º Kinoforum-Curitiba 2011 conta com as seguintes atividades: Mostra de Curtas Latino-Americanos, Mostra de Curtas Internacionais, Programas Especiais e debates.

A Sessão de Abertura será no dia 2 de setembro, às 19h. Haverá uma sessão às 16h30min e uma sessão às 19h30min nos dias 3 e 4 de setembro. As cinco sessões serão seguidas por debates.

A Mesa de Debates contará com pesquisadores e críticos de cinema de São Paulo e Curitiba, objetivando a formação de plateia crítica. Alguns dos debatedores serão William Hinestrosa, do Kinoforum-SP; Paulo Camargo, da Gazeta do Povo; Fernando Severo, do MIS; Camila Moraes, da seleção da Mostra Latina; Paulo Munhoz, da Tecnokena; e Denize Araujo (mediadora), da Pós-UTP.

APOIO

O 1º Kinoforum-Curitiba 2011 será patrocinado e realizado pelo Clipagem (Centro de Cultura Contemporânea), tendo o apoio cultural do Shopping Novo Batel, da Secretaria de Cultura, do MIS (Museu da Imagem e do Som de Curitiba), do Centro Europeu, da Pós-UTP, da Larus Viagens, das Livrarias Curitiba, da Casa di Bel, do Restaurante Patanegra, do Cuore di Cação Chocolateria, e de Bolinelli Eventos e Produções Artísticas.

O 22º Kinoforum-SP conta com o patrocínio do Ministério da Cultura, da Petrobrás, do Sesc, SAV, Avon e das Secretarias Municipal e Estadual de SP.



(Com informações de Assessoria de Imprensa)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

“Planeta dos Macacos: A Origem” estreia nos cinemas brasileiros

(Foto: www.adorocinema.com.br)
Filme conta como os macacos dominaram o planeta



Quarenta e três anos depois do filme estrelado por Charlton Heston, chega às telas dos cinemas brasileiros uma nova adaptação da “saga símia”: Planeta dos Macacos: A Origem (2011). É a grande estreia desta sexta-feira (26) no Cine XV.

Para entender o longa-metragem dirigido por Rupert Wyatt, é preciso voltar no tempo e resgatar um clássico da ficção científica. Em 1968, o ator Heston vivia o papel de George Taylor na produção rodada por Franklin J. Schaffner, O Planeta dos Macacos. O personagem era um astronauta cuja nave Ícarus (referência ao mito grego) cai num planeta desconhecido. Para sua surpresa, Taylor descobre que o tal lugar é dominado por macacos inteligentes e autoritários.

Após ser escravizado e perseguido pelos símios, o herói consegue fugir. Seu objetivo era escapar do planeta dos macacos. Mas, na cena final, Taylor descobre a verdade: durante todo esse tempo, ele esteve em seu próprio planeta. Na verdade, havia viajado no tempo.

Em 2001, Tim Burton realizou um remake que fracassou nos cinemas. Muita gente não entendeu sua versão mais moderninha.

Ao contrário de Burton, o diretor britânico Rupert Wyatt se propõe a um projeto mais original: mostrar como os macacos se tornaram inteligentes e escravizaram a raça humana. O segredo está no protagonista da nova produção, César (Andy Serkis); ele é considerado o primeiro macaco a se revoltar contra os humanos.

Sua origem, no entanto, não é mais como filho dos chimpanzés Zira e Cornélius (como ocorre em um dos cinco filmes da “saga símia”); mas como resultado de experiências genéticas.

O grande destaque de Planeta dos Macacos: A Origem é o ator Andy Serkis, que dá vida ao macaco César. Experiente na representação de personagens de computador, como o Gollum de O Senhor dos Anéis, Serkis consegue impressionar na caracterização de César. Claro que os efeitos especiais são essenciais. Mas, sem um grande ator, talvez não tivéssemos um personagem tão convincente.

SAGA SÍMIA
Nos anos de 1960/70, O Planeta dos Macacos se tornou verdadeira febre no mundo todo. Foi o primeiro filme de ficção científica a se tornar uma franquia, com quatro continuações e muitos derivados, como séries de televisão, desenhos animados, quadrinhos e todo tipo de parafernália, como bonecos, figurinhas e fantasias.

SERVIÇO:
Filme: Planeta dos Macacos: A Origem (2011), 105 min, legendado
Estreia sexta-feira, 26 de agosto
Local: Cine XV
Horários: 17h00min, 19h15min e 21h30min; sexta, sábado e domingo, sessão extra às 15h00min
Valor: a consultar (Tel.: 3621-2005)
Sala: o cinema é localizado no centro de Guarapuava, na Rua Getúlio Vargas, 1716.



quinta-feira, 25 de agosto de 2011

“Os pinguins do papai” é a grande estreia do Cine Irati

(foto: www.adorocinema.com.br)
Ao lado de pinguins, Carrey se diverte em filme



Para alegria de pais e filhos, Os pinguins do papai (2011) chega à sala do Cine Irati, na estreia desta sexta-feira (26).

Estrelado pelo comediante norte-americano Jim Carrey, o longa-metragem parte de uma história ingênua e simples: Carrey vive Tom Popper, um especialista em comprar imóveis antigos, para que sejam demolidos de forma que sua empresa possa construir modernos edifícios.

Sua vida toma outro rumo quando recebe a notícia de que seu pai, um aventureiro que rodou o mundo, faleceu na Antártida. No testamento, ele deixa para o filho um pinguim, entregue em uma caixa refrigerada. Sem saber o que fazer, Popper resolve ficar com ele após perceber a afeição que seus filhos nutrem pelo animal. Aí, começa toda confusão.

Baseado no livro Os pinguins do Sr. Popper (1938), de Richard e Florence Atwater, Os pinguins do papai é a grande aposta de Jim Carrey para voltar ao sucesso alcançado nos anos de 1990, quando foi revelado ao mundo como o detetive de animais Ace Ventura.

Com direção de Mark Waters, a nova produção é uma comédia bem ao estilo do ator: situações inusitadas e muito improviso. É nesses momentos que Carrey pode ser tanto um gênio do humor quanto um cara metido a engraçadinho. A linha que separa o sucesso do fracasso é tênue.

Diante de tantas comédias na linha besteirol de Se beber, não case – Parte 2, a inocência de Os pinguins do papai é um sopro de alegria para o público dos cinemas.

SERVIÇO
Filme: Os pinguins do papai (2011), 94 min.
Estreia: sexta-feira, 26 de agosto
Local: Cine Irati
Horário: 20h30min
Valor: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)
Sala: O cinema é localizado no centro de Irati (a 100 km de Guarapuava), na Travessa Frei Jaime, 37, próximo da agência do Itaú.


Centro de Artes inaugura exposição


Em Guarapuava, o Centro de Artes e Criatividade Iracema Trinco Ribeiro promove a exposição “Figuras, Cores e Formas”, da artista plástica Alba Condessa. A abertura da mostra será nesta quinta-feira (25), às 20 horas, nas dependências do Centro.

Montada com 31 obras, a exposição resume várias fases da carreira da artista Alba, com telas pintadas a óleo e acrílico. Fica aberta para visitação até o dia 15 de setembro, com entrada franca.

HORÁRIOS
O Centro de Artes e Criatividade Iracema Trinco Ribeiro fica localizado na Rua Marechal Floriano Peixoto, 1.399, centro de Guarapuava (250 km de Curitiba). Os horários de visitação são das 8h às 11h30min; e das 13h às 17h30min.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Paulo Leminski, um distraído que venceu

(imagem: allthelikes.com)
Leminski, no traço de Claudio Seto



Na Curitiba dos anos de 1980, uma figura extravagante caminha pelas ruas da cidade. Faz frio. Como é peculiar na capital paranaense, todos estão usando roupa neutra e com cara de poucos amigos. Mas o tal personagem é o oposto disso, personificando uma espécie de “estranho no ninho”: alegre, cores aberrantes, bigode transbordando, óculos redondos. Em suma, é um “ex-estranho”, conforme o título de um de seus livros.

Pode parecer clichê, mas esse cara seguiu à risca, enquanto viveu, a imagem de um poeta inconformado com o mundo e, principalmente, com a vida burocrática da gente curitibana. Não contente apenas em fazer poesia, exerceu atividades várias: professor de cursinho, publicitário, tradutor, crítico literário, letrista de música e até judoca. Em todas elas, era o provocador por excelência, se envolvendo em debates e conversas com intelectuais.

Estamos falando de Paulo Leminski, o “bandido que sabia latim”. Ele pertenceu à geração de poetas dos anos de 1970/80, que buscava formas alternativas para produzir e modificar a literatura da época. Se estivesse vivo, nesta quarta-feira (24) Leminski faria 67 anos de idade.

Pesquisador da obra de Leminski e professor da área de Literatura Brasileira do Departamento de Letras da Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste), Cláudio José de Almeida Mello afirma que o escritor curitibano conseguiu firmar seu nome na tradição literária brasileira contemporânea. Principalmente, com a produção em prosa, casos de Catatau (1975) e Agora é que são elas (1984).

“A prosa do Leminski é ímpar. Catatau é uma obra que marca a história da literatura brasileira por seu radicalismo, que é quase incomparável. Talvez somente Galáxias, do Haroldo de Campos, esteja no mesmo patamar, ou seja, de um romance mais para ser estudado do que propriamente lido”, afirma.

Narrativa que mistura prosa e poesia, Catatau consumiu dez anos da vida de Leminski para chegar a público. Com pouca ação e calcado na reflexão sobre as andanças de Renatus Cartesius, um duplo do filósofo francês René Descartes (1596-1650), pelo Nordeste do Brasil. O pesquisador Mello chama a atenção para a presença do primeiro “personagem semiótico” da literatura brasileira, Occam. “Claro que todo personagem é ficcional. Mas o Occam é um personagem que existe somente na linguagem do narrador”.

Desse modo, o poeta curitibano se preocupa em representar o real e dialogar com a teoria literária. Por esse e outros motivos, Catatau é reconhecido como um dos grandes romances da história cultural brasileira. Mello só lamenta que exista pouco interesse no âmbito dos estudos literários e, principalmente, nos círculos de leitura para conhecer mais a fundo a obra.

Além desse livro, o professor da Unicentro destaca outra grande narrativa do mesmo autor, Agora é que são elas, que foi inclusive objeto de estudo em sua dissertação de mestrado. “É uma obra fabulosa. É um livro muito bom do ponto de vista estético”.

Segundo Mello, nos últimos anos a pesquisa acadêmica tem se debruçado sobre a narrativa de Leminski, descobrindo o quando essa produção supera a poesia. Na verdade, esta é feita de altos e baixos, pois, segundo o pesquisador, ao mesmo tempo em que produzia poemas elaborados e significativos, Leminski era capaz de textos banais, que era fruto de algumas brincadeiras e trocadilhos:

a palmeira estremece
palmas pra ela
que ela merece


Em relação a outras facetas do poeta (letrista e ensaísta, por exemplo), o pesquisador é da opinião de que elas carecem de maior profundidade. Por isso, o grande destaque para a prosa leminskiana que, em alguns momentos, pode ser difícil e indecifrável.

Mas, acima de tudo, fica a impressão de que Paulo Leminski queria comunicar uma experiência por meio de sua literatura. “Narrar para ele era isso: compartilhar a experiência humana”, finaliza Cláudio Mello.

A idade da experimentação

Nascido em agosto de 1944, se estivesse ainda vivo, Paulo Leminski completaria 67 anos nesta quarta-feira (24). Criado em Curitiba, mas com uma cabeça cosmopolita, principalmente pela influência da poesia Concreta de São Paulo e pela poesia oriental, Leminski incomodou muito a inteligência paranaense de sua época.

Poeta, tradutor, crítico literário, agitador cultural, professor de cursinho, publicitário e judoca, ele conseguiu gravar seu nome na tradição literária brasileira contemporânea, junto com Chacal e Ana Cristina César (na poesia) e Haroldo de Campos (na prosa poética). É o que pensa o professor de Literatura Brasileira da Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste) e pesquisador da obra leminskiana, Cláudio José de Almeida Mello.

Para Mello, a grande marca da obra de Leminski é o experimentalismo estético, principalmente em obras como Catatau (1975), uma mistura do romance com a subjetividade e a abstração da poesia. “É uma invenção em termos do gênero do romance. É uma obra complexa e teórica, já que carrega no subtítulo sua melhor definição: 'romance-ideia'”, argumenta.

Com uma trajetória de inquietação e experimentação, Leminski levou uma vida intensa, entregue à boemia. Se fosse ainda vivo, estaria com 67 anos. Fica a pergunta: como seria seu comportamento artístico nos dias de hoje?

“Como ele levava muito a sério sua poesia, produziria uma obra ainda muito mais importante do que já era naquela época”, afirma Mello.