quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Um artista em formação

Autor da obra-prima Maus relança HQ de 1978

(Imagem: ica.org.uk)


O artista Art Spiegelman entrou para a história da cultura ocidental ao ganhar o cobiçado prêmio Pulitzer, uma espécie de Oscar do jornalismo e da literatura norte-americanos, com a obra-prima Maus (1986). Até aí tudo bem, já que em todos os anos várias publicações são premiadas com o Pulitzer.



Mas, o que dizer quando uma HQ (História em Quadrinhos) ganha, pela primeira e única vez na história, o tal Pulitzer? Essa façanha foi conseguida graças ao Maus de Spiegelman, em 1992. A graphic novel (termo usado para designar gibis mais sofisticados em termos de enredo e produção) do desenhista/roteirista contava a história da Segunda Guerra Mundial por meio de um ângulo diferente. Os personagens eram representados por animais: ratos (judeus) e gatos (alemães nazistas).



Naquela ocasião, foi a forma encontrada por Spiegelman para entender a história de seus pais (judeus que sobreviveram aos campos de concentração nazistas) e a si próprio.



Antes de tudo isso se transformar no gibi chamado Maus e do artista alcançar o reconhecimento internacional, Spiegelman fez Breakdowns em 1978. Era uma seleção de quadrinhos e uma reflexão sobre vida e arte nas páginas de uma publicação radical e psicodélica.



Passadas mais de três décadas, o desenhista resolveu relançar o material numa edição caprichada e com o acréscimo do subtítulo “Retrato do Artista quando Jovem %@!”. Sem perder tempo, a editora brasileira Companhia das Letras lançou uma versão de luxo em 2009. Apesar do preço salgado, é uma obra que vale a pena ser conhecida.



Parodiando o clássico Retrato do artista quando jovem (1916), do escritor irlandês James Joyce, Spiegelman acrescenta um palavrão ao título (no sugestivo código usado nos quadrinhos, “%@!”) e dá o tom do livro: uma coletânea de experiências com a vida e, principalmente, com a chamada Nona Arte. As histórias flagram uma fase ingênua, experimental e conceitual na trajetória do artista.



Além das filosofias e discussões, o livro nos oferece a possibilidade de acompanhar o processo de criação e experimentação de um jovem desenhista/roteirista que viria a se tornar o conceituado autor de Maus. Inclusive, o gibi revela os vários momentos que antecederam a criação da famosa graphic novel e de outras histórias igualmente importantes.



Art Spiegelman também faz o contraponto entre suas ideias do presente e aquele pensamento radical de seu passado. É um livro para todos aqueles que gostam de uma boa ficção.





SERVIÇO:

Livro: Breakdowns: Retrato do Artista quando Jovem %@! (2009),

Autor: Art Spiegelman

Preço: R$ 71,83 (sem o frete)

Onde encontrar: www.livraria.folha.com.br



Entrevista com o autor:

sábado, 24 de dezembro de 2011

Vencedora do concurso Hit BB, banda Selvagens à Procura de Lei lança EP digital

 Divulgação


Eles concorreram com mais de 300 artistas e ganharam o concurso Hit Planeta, uma parceria entre o portal Terra, a Deck e o Banco do Brasil. Os Selvagens à Procura de Lei abriram o palco indie no Planeta Terra Festival e apresentaram um show visceral, no qual mostraram a personalidade do grupo. Agora, o quarteto acaba de lançar o EP homônimo, que já está disponível no Terra Sonora.


Os cearenses Gabriel Aragão (vocais e guitarra), Rafael Martins (vocais e guitarra), Caio Evangelista (baixo) e Nicholas Magalhães (bateria) são jovens antenados com seu tempo, que já aprenderam a catalogar suas influências e devolverem-nas ao público num pulsante entusiasmo. Influenciados por nomes como John Frusciante, Belchior, Albert Hammond Jr., Fernando Catatau, Jack White, Lobão-Cazuza-Russo, John-Paul-George-Ringo, os meninos são a prova de que o bom rock and roll combina muito bem com um sol de 40 graus.



Lançaram dois EPs em 2010 e o primeiro álbum, Aprendendo a Mentir, em 2011. O novo EP digital, batizado com o nome do grupo, acaba de ser lançado pela Deck e traz seis das músicas do repertório da banda incluindo os sucessos “Amigos Libertinos” e “Mucambo Cafundó”. Além do EP, eles lançam o clipe de “Mucambo Cafundó”, dirigido por Joélio Souza e captado por Arthur Henrique.

(Assessoria de Comunicação) 



quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Roberta Campos lança EP digital ao vivo

 (Foto: divulgação)
 
Depois de lançar “Varrendo a Lua” (2010) e rodar o Brasil com show homônimo, as apresentações de Roberta Campos ficaram cada vez mais inspiradas, o repertório ganhou novas músicas e as canções novos arranjos. Por isso, surgiu a ideia de registrar o show ao vivo e produzir um EP digital.


Gravado no Auditório Ibirapuera em setembro, o EP é composto por seis faixas: o atual single “Acabou”; os sucessos “Mundo Inteiro”, “De Janeiro a Janeiro” e “Varrendo a Lua” (que compõe a trilha da série televisiva Malhação); a inédita “Porta Retrato”; e uma versão para “Segue o Seco”, de Carlinhos Brown.

Na apresentação do Auditório Ibirapuera, também foi gravado o clipe da música “Acabou”, com direção de Rafael Kent, que já está disponível no YouTube.


(Assessoria de Comunicação)



"Acabou":
 

domingo, 18 de dezembro de 2011

Elementar, Soares

Humorista Jô Soares lança quarto romance policial
(Foto: fotografia.folha.uol.com.br)
Nascido em 1938 como José Eugênio Soares, ele ficou mais conhecido simplesmente como Jô Soares, um comediante e apresentador de TV que está presente nos lares brasileiros há mais de 50 anos. E, agora em 2011, ele retornou ao ano de 1938 para ambientar seu mais recente romance policial, As Esganadas (Ed. Companhia das Letras).



Diretor, ator, entrevistador, tradutor, humorista, escritor. Até o início dos anos de 1990, parecia que não faltava mais nada para o currículo do polivalente Jô. Apenas parecia. Eis que, em 1995, chegava às livrarias de todo o Brasil O Xangô de Baker Street, uma obra literária que seguia à risca as regras das histórias policiais: crimes, investigação detetivesca e resolução.



Mas, ao contrário dos livros do gênero, o autor carioca injetou altas doses de humor num enredo pra lá de surreal: o famoso detetive Sherlock Holmes e seu companheiro inseparável Sr. Watson, saídos diretamente da obra de Arthur Conan Doyle, vêm ao Brasil para investigar o sumiço de um violino e uma onda de assassinatos na corte de D. Pedro II. Só confusões.



Tomando gosto pela coisa, Jô deu sequência à sua carreira de escritor de histórias policiais lançando dois livros que, se não fizeram o mesmo sucesso da estreia, pavimentaram seu caminho na literatura nacional: O Homem que matou Getúlio Vargas (1998) e Os assassinatos na Academia Brasileira de Letras (2005).



O trabalho mais recente é justamente As Esganadas. O novo thriller policial se passa no Rio de Janeiro de 1938 e traz uma trama no mínimo curiosa: assassino tem como alvo mulheres, digamos, bastante rechonchudas. Em seu encalço, um detetive português também acima do peso, um pragmático delegado brasileiro e uma jornalista carioca (que não é gordinha).



Aliás, o título faz uma brincadeira com o tema do livro. “Esganadas” se refere tanto ao hábito de comer (todas as mortes envolvem comida) quanto ao modo como algumas vítimas são assassinadas (pescoço esganado).



No novo romance, Jô repete a fórmula consagrada da literatura policial (crime-investigação-resolução) e os artifícios usados em outras de suas próprias obras (mistura de personagens e personalidades históricas, piadas e cenas inusitadas).



Apesar de elementar, é mais uma história do gordo.





SERVIÇO:

Livro: As Esganadas (2011), 266 páginas

Autor: Jô Soares

Preço: R$ 36,00 (em média)

Onde encontrar: Livraria Paço da Luz (Tel. 3623-7783), em Guarapuava/PR
 

sábado, 17 de dezembro de 2011

Espreme que sai sangue!


História de jornal paulistano é documentada em livro

(Imagem: infoescola.com)


Era uma vez um jornal. Um jornal polêmico, desbocado e que, durante 37 anos de vida, serviu como porta-voz do trabalhador brasileiro, principalmente o paulistano. Era o Notícias Populares, fundado pelo dono da finada Gazeta Mercantil a partir do projeto pessoal do imigrante romeno Jean Mellé. A primeira edição circulou em 25 de outubro de 1963 e a última em 20 de janeiro de 2001.

Toda essa incrível história de um dos veículos de comunicação mais famosos do Brasil está documentada no livro Nada mais que a verdade: a extraordinária história do jornal Notícias Populares (Summus Editorial), que ganha edição atualizada agora em 2011.

Escrito a oito mãos pelos jornalistas Celso de Campos Jr., Giancarlo Lepiani, Denis Moreira e Maik Rene Lima, o livro é resultado de um trabalho de conclusão de curso (o temido TCC) na área de Jornalismo pela prestigiada Cásper Líbero. A primeira edição é de 2001 e foi finalizada no calor do momento, quando o jornal foi cancelado pela empresa Folha da Manhã S.A., dona da tradicional Folha de S.Paulo.

Logo de cara, chama a atenção o fato de que duas publicações com perfis totalmente diferentes ocupavam o mesmo prédio da Alameda Barão de Limeira, na capital paulista. De um lado, furos de reportagens que poderiam derrubar presidentes, matérias culturais e tendências sendo ditadas; do outro, fatos policiais, mulheres nuas e manchetes ao estilo “Broxa torra o pênis na tomada”.

Esse é só um entre tantos dilemas e problemas analisados pelos autores no livro. O mais interessante é acompanhar a trajetória de um diário que, mesmo sendo boca-suja e despudorado, fez história na moderna imprensa brasileira.

Nascido nos anos de 1960 como representante legítimo da direita brasileira, sua função era combater o comunismo que se tornava cada vez mais real com a ascensão de João Goulart à presidência do Brasil. Naquele momento, gente como Herbert Levy, dono da Gazeta Mercantil, sentia que havia necessidade de uma publicação que fosse contra a esquerda e que se aproximasse do povão.

Por isso, quando o jornalista romeno Jean Mellé, fugido do comunismo soviético e da gélida Sibéria, apareceu com o projeto de um jornal direitista e popular, estava fechado: surgia o Notícias Populares.

Passado o período de combate ao comunismo, o jornal perdeu sua vocação política e acabou sendo comprado pelos donos da Folha de S.Paulo. A partir daí, começa uma história de forte apelo popular, com reportagens sensacionais e sensacionalistas, que fez sucesso até seu fechamento, em 2011.

Os leitores ficaram órfãos de uma publicação corajosa e cara de pau como o Notícias Populares.





SERVIÇO:
Livro: Nada mais que a verdade: a extraordinária história do jornal Notícias Populares (2011), 258 páginas
Autores: Celso de Campos Jr., Giancarlo Lepiani, Denis Moreira e Maik Rene Lima
Preço: R$ 54,40 (sem o frete) 
Onde encontrar: Livraria da Folha

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Vade retro, Satanás!


Obra-prima do cinema norte-americano é lançada em DVD

(Imagem: multiplot.wordpress.com)


Único filme dirigido pelo ator Charles Laughton, O Mensageiro do Diabo (1955) é uma adaptação do romance homônimo de Davis Grubb que apresenta uma história de mistério, terror e sobrenatural.


Lançado na distante década de 50 do século 20, esse longa-metragem é um projeto particular de Laughton, que enfrentou resistência dos estúdios norte-americanos à época de seu lançamento. Apesar de escrito, produzido e dirigido em solo ianque, não tinha o apelo comercial que se esperava. Segundo críticos de cinema, O Mensageiro do Diabo estava mais para o “cinema de arte”.



Passados mais de 50 anos de sua estreia, o filme provou que eles estavam certos num ponto: é uma obra-prima do cinema. Para o bem e para o mal, esse componente artístico fez com que a produção de Laughton permanecesse na história cultural; e também decretou seu fiasco de bilheteria. Ou não, já que seu estúdio, a MGM (Metro Goldwin Mayer), sabotou a divulgação do lançamento.



Polêmicas à parte, importa dizer que O Mensageiro do Diabo, a despeito de seu “status de arte”, não é um filme difícil de assistir e tampouco simplório demais. Tem ingredientes na medida certa, refinados pelo olhar aguçado de seu diretor, que foi buscar inspiração no cinema mudo e no expressionismo alemão.



Tudo isso para contar uma história horripilante, de medo e magia. De posse da informação de que existe uma boa quantia de dinheiro escondida com uma família, o reverendo Harry Powell (Robert Mitchum) seduz jovem viúva e passa a atazanar a vida de duas crianças; pois estas sabem do paradeiro da fortuna.



Diante dos outros, Powell passa imagem de fé ardorosa e retidão moral; mas, no íntimo, ele é um cara assustador e psicopata. Diante de seu olhar ao mesmo tempo sedutor e assustador, temos a impressão de que é o próprio tinhoso em pessoa, o coisa ruim, o príncipe das trevas. Em suma, o enviado do “cão de zorba”.



Somente o pequeno John (Billy Chapin) percebe isso logo de cara.



Além da direção e da fotografia, destaque para a atuação de Robert Mitchum na pele do reverendo satânico. É de dar medo e calafrios, principalmente quando são mostradas as tatuagens de seus dedos: “amor” e “ódio”. Vade retro, Satanás!



SERVIÇO:

DVD: O Mensageiro do Diabo (1955), 93 min

Direção: Charles Laughton

Preço: R$ 39,90 (sem o frete)

Onde encontrar: www.saraiva.com.br



(Imagem: www.saraiva.com.br)



Vigilante faz lançamento digital do álbum "Wayward Fire" do The Chain Gang of 1974

  (Foto: divulgação)


Muito elogiado pela crítica especializada, o álbum Wayward Fire do The Chain Gang of 1974, lançado em julho nos EUA, chega digitalmente ao Brasil pelo selo Vigilante. O disco está disponível nos maiores portais de streaming e download pago. 

O álbum foi criado pelo multi-instrumentalista e líder da banda Kamtin Mohager, que atuou como baixista do duo pop 3OH!3. O novo trabalho remete a sons de grandes artistas, como LCD Soundsystem e Depeche Mode, em faixas como “Undercover” e “Hold On”. Há também espaço para baladas como “Don’t Walk Away” e canções animadas, como “Taste of Heaven”. 

A música deles transcendeu as barreiras tradicionais do pop-rock indie: a faixa bônus “Make My Body” faz parte da trilha do filme O Grito 4 e a revista Esquire declarou que Wayward Fire é “um dos mais surpreendentes e fantásticos novos álbuns desse verão.”  

(Assessoria de Comunicação)



Canção "Undercover":