domingo, 13 de fevereiro de 2011

De volta aos 80


Definitivamente, os anos 80 voltaram.
E não é apenas nas ombreiras ou nas cores berrantes do Restart; está na música e no cinema. (Só um parêntese: engraçado que, apesar da moda colorida de roupas e óculos, a Blitz do Evandro Mesquita se mantém discreta e sóbria no figurino).
Tome-se um filme como Os Mercenários (2010, dir. Sylvester Stallone). Do diretor aos atores principais, parece que voltamos 20 anos no tempo. À uma época de heróis invencíveis e missões suicidas, com direito a cenas de tiroteiro e muitas, muitas explosões.
Nos anos 80, a testosterona escorria nos filmes estrelados por Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e Dolph Lundgren. E eles estão reunidos nesse Os Mercenários, que, inclusive, é fruto da imaginação do próprio Stallone.
Não sei se para o bem ou para o mal, mas os anos 80 estão aí.


*****Confira o trailer:

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Raízes sertanejas


Ao lado de Emmanuel Moon (bateria) e Ricardo Bastos (baixo), o compositor Fábio Elias (guitarra e vocal) formou uma das bandas mais importantes de rock and roll no cenário paranaense: a Relespública. Afinal, foram mais de 20 anos produzindo repertório próprio e fazendo shows Brasil afora. Por isso, causou espanto no meio roqueiro a notícia de que Fábio havia se “convertido” ao sertanejo, lançando seu primeiro CD (Me dê um pedaço teu) no novo estilo em 2010 e fazendo shows ao som de um violão e não mais da guitarra.
Para os fãs mais radicais, era um ato de “traição” aos princípios do rock; para os mais moderados, representava uma novidade bem-vinda. Segundo Fábio Elias, essa transição musical nada mais é do que um retorno às suas raízes, já que o sertanejo sempre esteve entre suas preferências desde a época do rock com a Relespública.
De passagem por Irati (150 km de Curitiba, no Paraná), onde faz show neste sábado (29 jan.), o artista reservou um tempo em sua agenda para conversar com a reportagem sobre a carreira-solo, a polêmica mudança, o show em Irati e o novo CD, Fábio Elias – Ao Vivo.

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1. Sei que você já comentou bastante sobre o assunto, mas é impossível começar a entrevista sem perguntar sobre sua mudança do Rock para o Sertanejo. Como tem sido a reação do público de ambos os estilos?
O público reage de maneiras diferentes. Alguns, mais radicais, não aceitaram o fato de eu ser eclético e gostar de sertanejo e rock. Mas a maioria do público quer se divertir, assim como eu, e não liga pra rótulos ou estilos. O importante é que estou feliz fazendo música, que é o que mais amo fazer na vida. A música sertaneja aconteceu na minha vida muito antes de existir Relespública. Era natural que um dia eu voltasse às raízes.

2. Você ainda mantém contato com o Emmanuel Moon e o Ricardo Bastos, seus antigos companheiros da Reles?
Como estou na estrada direto, divulgando meu trabalho em rádios do país todo, sobra pouco tempo para ligar e saber deles. Mas eles também nunca foram de me ligar, nem quando estávamos na ativa. Eu entendo essa distância, pois cada um têm suas vidas pessoais pra cuidar.

3. No seu primeiro trabalho sertanejo, o CD Me dê um pedaço teu (2010), tem uma canção que considero emblemática dessa mudança na carreira: “Parei”. Para você, os versos “Parei para recomeçar/ Parei para te encontrar/ Parei com essa vida louca/ Eu parei” representam uma declaração de novos caminhos, de que deixou aquela vida roqueira para trás?
É mais uma brincadeira minha. As pessoas levam a sério demais as músicas, né? Minha mulher e eu fizemos essa letra depois do banho, dando risada das frases que surgiam. A vida de músico não é diferente se você faz rock, pop, samba, pagode ou sertanejo. É uma luta diária pra conseguir seu lugar ao sol. Mas, realmente, eu deixei muita coisa pra trás daqueles dias... não posso estagnar, precisava mudar e eu sempre quero ir em frente! Sou assim.

4. Essa canção “Parei” é a sua “Estrada da Vida”, numa referência ao espírito de novos horizontes do clássico de Milionário & José Rico? Interessante que enquanto na música deles não se pode “parar”, você propõe o contrário para recomeçar.
"Estrada da Vida" é um clássico! Valeu pela comparação! Quanto a sua pergunta, acho que todo mundo precisa parar pra pensar na vida, nas coisas ao redor, pra reparar em si mesmo e analisar as coisas e seus atos, de vez em quando. Mas nesse caso, dessa música, foi só uma brincadeira mesmo, mudar o discurso. Não tem nada de profundidade egocêntrica ali. É só uma letra divertida. Um amigo meu me disse: - Poxa Fabio, todo mundo no sertanejo fala de festa, zoar, beber... e você diz "parei!"? Como assim, ta querendo ser diferente? Eu respondi: - Claro! Essa é a ideia!

5. Atualmente, você está divulgando o disco Fábio Elias – Ao Vivo. Como tem sido a receptividade do público?
Muito boa! O público é enorme e maravilhoso! Tem muita gente bonita, a "muierada" sai do corpo e estou tocando em rádios e lugares que nunca sonhei chegar! Tá legal demais poder ir pra estrada e divulgar, conhecer pessoas, casas de show, rodeios... Por exemplo, em Irati mesmo nunca toquei na rádio quando fazia rock. Agora já estou ficando mais conhecido por aí e na região toda. Isso me deixa muito entusiasmado e feliz! Quero agradecer o apoio das rádios, jornais e contratantes de show que acreditaram no meu potencial.

6. E o show em Irati? Tudo preparado para retornar a uma cidade que acompanhou tanto os trabalhos da Relespública quanto de sua carreira-solo?
Ah sim! Estou ansioso pra subir no palco e mandar ver minhas músicas, outras músicas já conhecidas do público universitário e clássicos sertanejos que não podem faltar. Além disso, a CIA 8 Segundos vai participar, dançando em alguns números. Aguardem!!!

7. Pra terminar, o que você espera de 2011? Planos de novos projetos musicais? Tocar com ídolos do sertanejo estão entre eles?
Sonhar não custa nada! Tenho planos sim, vários! Mas vou conquistando as coisas aos poucos e na hora certa de acontecer. O importante é estar sempre na ativa e com a mente livre para novos projetos. Cantar com ídolos? Isso seria demais!!!


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Nota: A reportagem acima é uma versão ampliada de matéria publicada no jornal Folha de Irati (www.folhadeirati.com.br), edição 1.786 (28 jan. 2011).



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Acompanhe um pouco do trabalho do Fábio Elias no vídeo da música "Parei":

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Uma canção para Riobaldo

Música é coisa esquisita, né. Calma, inimigo leitor, parece que estou sendo agressivo com essa manifestação cultural, mas não é isso. Na verdade, estou elogiando-a, dentro daquilo que me parece um elogio.
Quando digo “esquisita”, quero dizer algo que foge a minha compreensão, como é o caso das músicas que nos fascinam, mesmo não as entendendo. Tomo minha própria pessoa como exemplo disso: praticamente analfabeto no idioma inglês, a “língua dos bárbaros” para alguns, ouço e gosto de música cantada nesse código. Tirando uns “yes”, “my names” e tal, o restante das letras é um enigma para minha parca compreensão.
Mas, mesmo assim, deixo de ouvir uma música cantada em inglês? Obviamente que não. Porque isso acontece? Ora, porque a música é universal, rompendo com as barreiras idiomáticas. Na verdade, a letra está escrita na sucessão de melodias e acordes, comunicando, através do som, a dor, a alegria, o desespero, enfim, o sentimento que pode estar expresso na letra.
Mesmo nas letras em português, muitas vezes nem prestamos atenção em seu significado, usando apenas para cantarolar alguns trechos. Seu entendimento está na sonoridade e não na inteligibilidade. Se fosse o contrário, estaríamos reduzindo a arte a mero conjunto de letras, sem levar em conta seu conteúdo. Melhor exemplo disso é o romance Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa, cujo significado não está no entendimento das milhares de palavras inventadas pelo autor, mas sim na musicalidade e da cadência de suas frases. Nesse ponto, somos como o protogonista Riobaldo, que não compreende nem metade do mundo, mas sabe senti-lo e vivê-lo.
Então, sejamos como Riobaldo e pronto.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Trajetória acidentada


Acho que não sou a pessoa mais indicada para dar conselhos. Mas, não tem problema, dou conselho do mesmo jeito: ingrato leitor, leia o livro Pilatos (1974), escrito pelo jornalista Carlos Heitor Cony. Do enredo às circunstâncias de escrita, trata-se de um romance original e divertido.
O motor central do livro é o personagem que não tem nome (ou anônimo, já que praticamente não tem um nome de batismo), narrador de sua trajetória errante pelo submundo. Nesse percurso, ele conhece figuras pitorescas e vivencia histórias incomuns. Tudo começa num hospital, quando o estranho sem nome acorda de um acidente de trânsito e olha para o lado e vê seu pênis, apelidado por ele de Herodes, num vidro de compota.
Ao longo das páginas do livro, o anônimo carrega a tal compota para todos os cantos. Mesmo não tendo mais a mesma serventia que tinha antes, Herodes permanece junto de seu dono nas mais variadas aventuras. Obviamente, além da questão tragicômica, a trajetória do personagem principal simboliza a castração. Desde os tempos da Antiguidade Clássica, o pênis é visto como um símbolo de fertilidade e masculinidade.
No romance de Cony, a castração também simboliza um desencanto social. O acidente marca o desligamento do anônimo com a sociedade. Até então, ele levava uma vida simples, trabalhando num emprego qualquer e morando numa casa comum. A partir do momento em que se acidenta e perde, na visão dele, seu bem mais precioso, torna-se um pária sem rumo certo. Em suas andanças pela marginalidade, ele conhece o outro lado da sociedade, numa espécie de radiografia machadiana, tal como o personagem Brás Cubas da obra Memórias póstumas de Brás Cubas.
Mas, o que ele faz para mudar essa condição humana? Absolutamente, nada. O estranho sem nome faz como o romano Poncio Pilatos, lava as mãos e constata, de maneira lacônica, que as pessoas felizes são mal informadas.
De certa maneira, o percurso do estranho sem nome marca a própria carreira do autor: após a publicação de Pilatos, ele ficaria 21 anos longe da literatura. Cony também lavou as mãos, desistindo de tentar entender a sociedade através do filtro da literatura.

****Acompanhe trecho de entrevista com Carlos Heitor Cony no Paiol Literário (Curitiba-PR):


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Em busca da história perfeita


Incrível como as traduções de títulos continuam escorregando feio na interpretação dos filmes. Ou cometem erros terríveis de semântica, como “o tiro que não saiu pela culatra”; ou usam mão daqueles velhos clichês, do tipo “dupla explosiva”.
No caso de Vigaristas (2008, dir. Rian Johnson), a tradução do título ficou na segunda opção. Tudo bem, é um filme que conta a história de dois irmãos golpistas. Daí, talvez o motivo para a distribuidora brasileira ter optado pelo infame “vigaristas”. No entanto, é um título que engana o espectador, pois não se trata de um filme policial ou de ação.
Não, The Brothers Bloom (título original) é uma produção sobre a arte de fabular e recriar a realidade. Um desses “irmãos Bloom”, Stephen, se dá bem nos golpes; mas gosta mesmo é de inventar a história perfeita. Nem que para isso ele tenha que sacrificar sua própria vida.
O filme é uma ode à imaginação.


*****Asssista ao trailer e depois veja o filme:

domingo, 5 de dezembro de 2010

Um filme de Michael Caine


Ultimamente, alguns atores consagrados têm atuado no “automático”; ou seja, parecem fazer sempre o mesmo personagem.
Nessa lista, entram Al Pacino, Robert De Niro, Dustin Hoffman, Anthony Hopkins. Tem-se a impressão de que, por terem atingido certo status, não precisam provar mais nada.
Felizmente, não é o caso de Michael Caine. Apesar de seus 77 anos, a cada filme ele mostra nova faceta e empenho na melhor atuação. Para quem não se lembra, Caine é o mordomo Alfred em Batman: o Cavaleiro das Trevas (2008).
Em seu mais recente filme, Harry Brown (2009, dir. Daniel Barber), ele vive o personagem-título: um soldado aposentado, que faz justiça com as próprias mãos para vingar o assassinato de um amigo.
Mas, não pense, inimigo leitor, que se trata de um revival dos matadores à la Charles Bronson. Ao contrário, Harry é triste e lacônico.


****Assista ao trailer:

sábado, 4 de dezembro de 2010

Melodia misteriosa


Como diriam os personagens de Nelson Rodrigues, “é batata”: quem for assistir a O livro de Eli (2010, dir. Albert Hughes e Allen Hughes), vai tentar descobrir o nome do tal livro que é carregado por Eli (Denzel Washington) ao longo dos 120 minutos de filme.
Na verdade, não é preciso ser muito inteligente para adivinhar que livro é aquele. Frustrante, pois esperava uma charada mais complexa.
Mas, pelo menos para mim, o filme apresenta um mistério mais interessante. Em duas cenas, o vilão Redridge (o ótimo Ray Stevenson) assobia uma melodia do filme Era uma vez na América (1984). Trata-se de “Cookie’s song”, ou seja, a “Canção de Cookie”, um dos personagens desse filme do diretor italiano Sergio Leone.
A princípio os dois personagens (Redridge e Cookie) não têm nada a ver um com o outro. Então, por que a música? Sugestão do ator ou ideia dos diretores?
Mistério...


****Assisti ao trailer